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Fé na humanidade restaurada

Eric LeGrand na icônica foto da "Sports Illustrated"

Outubro de 2010, eu passava os dias com a perna direita para cima, ainda engessada depois de uma cirurgia para a inserção de uma placa de platina e seis parafusos para corrigir uma fratura na fíbula. Era a primeira lesão mais grave depois de cinco anos de futebol americano. Sim, um esporte “violento”, mas uma fratura comum até para os que chutam a bola redonda, em um dos ossos mais fracos do tornozelo. Apesar de estar ciente de uma plena recuperação em poucos meses, basta uma brecha para que questionamentos mostrem a cara.

Afinal, todo o prazer proporcionado pela prática esportiva não era páreo para a dor e as dificuldades de locomoção com um afiado par de muletas, as axilas que o digam. Ou seja, uma receita fácil para sentir pena de si mesmo e unir a convalescência com a falta de vontade para tudo. Um esporte amador, que só me trazia custos, agora cobrava um preço um pouco mais alto. Nada que superasse o amor e a vontade de, um dia, recomeçar, no entanto.

Durante uma tarde de trabalho em casa, TwitDeck ligado, os colegas da imprensa americana noticiavam um acidente durante um jogo da liga universitária americana. O atleta Eric LeGrand, da defesa dos Scarlet Knights, da Universidade de Rutgers, machucou o pescoço durante um lance e havia sido hospitalizado, aparentemente paralisado. Imediatamente, por curiosidade, segui os links para as notícias, uma delas acompanhada do vídeo da jogada.

Talvez não tão impactante para um espectador comum, mas para mim, a pior cena que já vi. Na tentativa de derrubar um adversário, LeGrand faz exatamente o contrário do que é ensinado para qualquer atleta da modalidade, e inicia o contato no corpo do oponente com sua cabeça. O camisa 52 cai de costas no gramado, com seus quatro membros enrijecidos, em um sinal claro de paralisia corporal. Nos segundos seguintes, as pernas e os braços, simultânea e lentamente, cedem à força da gravidade e se acomodam no gramado. Depois, é possível ver o desespero de LeGrand, que movimenta a cabeça insistentemente, mas o restante do corpo parece não corresponder.

Até hoje sinto na boca o mesmo amargo que me acometeu assim que vi a cena. Imagens fortes e negativamente emocionantes, que estragaram vários dos meus próximos dias. De alguma forma, eu compartilhava daquela dor, conseguia me colocar em seu lugar. Mas ao mesmo tempo me sentia um lixo por ter lamentado a minha simples lesão. Um choque de realidade com a situação de alguém encaminhado para se tornar um jogador profissional, sonho da maioria dos garotos americanos – e também de alguns brasileiros perdidos por aqui – que acabava em uma fatalidade.

Nos dias seguintes, a Universidade de Rutgers abriu um canal de comunicação entre os fãs e LeGrand, para que enviassem mensagens de apoio. E para aquilo dediquei tempo, em um sincero voto de melhoras, que talvez jamais chegasse ao destinatário, mas que me ajudaria a amenizar um pouco daquela angústia. Fiz questão de mostrar que a corrente de orações e pensamentos positivos era grande, e se estendia até um longínquo país do sul do mundo.

O atleta foi diagnosticado com paralisia total dos membros superiores e inferiores devido a uma lesão cervical, e respirou com ajuda de aparelhos por algumas semanas. De 2010 para cá, Eric LeGrand tem mostrado uma excelente recuperação. Já consegue movimentar levemente os ombros, sente estímulos nas pernas e se locomove com uma cadeira de rodas adaptada. É extremamente ativo no Twitter, retomou os estudos e persegue o sonho de se tornar um comentarista esportivo. No final do ano passado, foi responsável por liderar a entrada dos seu companheiros Scarlet Knights em campo no último jogo da temporada. Cena imortalizada pelas lentes dos fotógrafos da revista “Sports Illustrated” e que posteriormente foi escolhida como a foto do ano.

Todo mês de abril a NFL, a grande liga do futebol americano, seleciona jogadores que estão se formando na faculdade para tornarem-se profissionais. E em 2012 seria a vez de Eric LeGrand. Fato que não saiu da memória de Greg Schiano, treinador do Tampa Bay Buccaneers e ex-técnico de LeGrand em Rutgers. E depois das inúmeras contratações das futuras estrelas do principal esporte americano, a notícia que comoveu toda uma nação. No dia 2 de maio, os Buccaneers usaram a última vaga disponível no elenco e anunciaram a contratação do defensive tackle Eric LeGrand.

Um gesto simples para uma organização do tamanho de um time da NFL, mas capaz de arrancar lágrimas dos que acompanharam toda a história mundo afora. LeGrand terá uma função administrativa, já que, apesar da projeção de voltar a caminhar no futuro, jamais jogará futebol americano novamente. O time ofereceu um contrato vitalício ao ex-atleta, e afirmou que o espírito lutador do rapaz é exatamente o que a equipe procura em seus componentes.

A contratação do ano, dizem os especialistas no esporte. Fãs podem encontrar a camisa número 52 do Tampa Bay Buccaneers, com o nome LeGrand na parte de trás. E Eric, apesar de ter todo o seu futuro virado de ponta-cabeça em uma fração de segundos, agora vive o sonho de fazer parte do dia a dia de uma equipe profissional de futebol americano. E assim como todas as estrelas do esporte, terá a possibilidade de incentivar e dar inspiração àqueles que se encontram em situação semelhante. Parece coisa de filme. Que bom que não é.

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Champions League: Bayern de Munique ou Chelsea?

No próximo sábado, dia 19 de maio, acontece a tão esperada final da Liga dos Campeões da Europa. De um lado os ingleses do Chelsea, que estão confiantes após a heroica classificação na fase anterior, quando eliminaram o poderoso e temido Barcelona do craque Lionel Messi. Do outro, o Bayern de Munique, que eliminou o badalado Real Madrid e agora tem a chance de conquistar o seu quinto título da liga – desta vez tem a oportunidade de ser campeão jogando em casa, na Allianz Arena.

O título da Liga dos Campeões é sonho do dono do Chelsea, o milionário russo Roman Abramovich. Desde que comprou o clube em 2003, pela bagatela de 210 milhões de euros, ele busca esse troféu, que é o único que falta na prateleira de conquistas dos Blues.

Um detalhe é que nenhum time da cidade de Londres chegou a ganhar esse torneio. Agora o clube do artilheiro marfinense Drogba pode ser o primeiro. Sob o comando de Roberto Di Matteo, que assumiu interinamente e agora está cotado para ser efetivado, o Chelsea vai em busca dessa conquista.

A maior dificuldade que os ingleses vão enfrentar é o fato de que os Blues perderam muitos jogadores pelo terceiro cartão amarelo ou por expulsões, além dos atletas lesionados. Sem o capitão John Terry, a defesa estará capenga. O brasileiro Ramires é outro desfalque certo: em seu melhor momento no clube, não poderá atuar por estar suspenso. Di Matteo terá que quebrar a cabeça para montar o time, já que são pelo menos quatro desfalques certos.

Os bávaros também terão alguns problemas por conta de suspensão. Sua defesa, que já não é das melhores, perdeu o central Badstuber e o jovem lateral Alaba para o confronto. Mas o Bayern aparenta estar mais inteiro para essa disputa. Além de contar com um time mais completo e tecnicamente melhor.

Depois da classificação nos pênaltis diante do Real Madrid, os alemães querem entrar para a história ao conquistar a Liga jogando em seus domínios, fato que aconteceu pela última vez na temporada 1964/65, quando a Internazionale jogou no estádio Giuseppe Meazza e venceu o Benfica pelo placar de 1 a 0.

Com o trio mágico formado por Schweinsteiger, Ribery e Robben, o time alemão tem grandes chances de vencer. Os jogadores ofensivos do Bayern têm um poder maior de decisão, o que pode e deve ser o que irá definir o placar final.

Mas independente de quem for o favorito, esta é uma partida eletrizante e que irá parar não só a Europa, mas todo o planeta. Serão milhões de pessoas espalhadas por todo o canto, acompanhando a final que definirá os reis da Europa desta temporada. Façam suas apostas.

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O que fazer em uma segunda-feira?

A segunda-feira é tipo um sábado, ou melhor, é o domingo da minha semana. Aquele dia em que a gente pode dormir até meio dia e morrer de tédio o resto do tempo. Não tem nada interessante passando na TV e ninguém quer sair de casa.

Dá preguiça de arrumar a cama, de fazer almoço e de tirar o pijama. “Não tem nada pra fazer”, fico reclamando o dia inteiro. Aí eu olho ao redor procurando alguma coisa…

baguncinha aconchegante...

Mas ah, todo mundo tem alguma “baguncinha” para arrumar, mas hoje é o dia da folga… E eu tenho desculpa! Cheguei de viagem sexta, trabalhei no fim de semana e hoje é só segunda. E ainda por cima eu estou doente. Viu só? Ainda posso arranjar mais uns vinte motivos pra continuar sentada no sofá, enrolada na coberta, reclamando do tédio.

O que eu acabo fazendo nesses dias? Gasta telefone mandando mensagem para as amigas fazerem uma visitinha e pedindo comida pelo delivery. Só. Não é essa a graça dos domingos?

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Cansamos da realidade como ela é?

A compra do Instagram pelo Facebook é papo velho, todo mundo já falou demais sobre o assunto, seja avaliando economicamente ou socialmente. Vieram com aquele papo de que a inclusão digital era pouco aceita, de que o aplicativo insultava os grandes fotógrafos (posto que tudo é feito automaticamente, deixando até mesmo um lanche do Mc Donalds mais bonito) e também vieram apostar que tudo não passa de uma grande febre e que logo será trocada por um novo brinquedo com uma nova funcionalidade. Independente disso, ninguém parou para refletir sobre a reação que essas imagens sobrepostas a um filtro qualquer causaram em nós.

Em 1861, um físico conseguiu criar a primeira fotografia colorida após usar diversos filtros de cores diferentes. Somente 40 anos depois foi disponibilizado no mercado um filme (com uma técnica baseada em extrato de batata) que permitia tirar fotos coloridas. Até então, o objetivo era encontrar uma tecnologia que fizesse as fotos terem as mesmas cores que na vida real. A imagem perfeita foi finalmente alcançada quando as máquinas digitais chegaram e conseguiram registrar até mesmo as imperfeições que a gente preferia não enxergar. Agora, parece que enjoamos das imagens como elas são na vida real. Queremos o diferente, queremos dar uma nova versão imagética daquilo que vemos todos os dias.

A moda que o Instagram lançou já era anunciada por máquinas como a Lomo e a Holga, e não demorou muito parar virar tendência voltar ao passado e usar filtros de uma cor só, que nos dão uma impressão “vintage” às fotografias. Cansamos da realidade e tudo isso pode ter uma boa explicação: o registo fotográfico hoje em dia é tão grande, que as fotos já não servem mais para eternizar, mas para divulgar um momento.

A fotografia se tornou algo banal, mal conseguimos dar conta de guardar todas para nossos filhos verem. Até mesmo porque nossos filhos pouco ligarão para saber a cara do prato que comemos em algum determinado restaurante. Se selecionar já não é preciso, então por que não fotografar tudo?! Por que não abusar de efeitos para chamar a atenção de uma foto qualquer?!

É para isso que, às vezes, os filtros parecem existir. Para dar uma cara mais “interessante” ao que é banal, ao que podemos ver todos os dias e que por ter um ângulo, uma cor, um efeito diferente, nos chamam a atenção. Talvez o físico que conseguiu pela primeira vez registrar a vida como ela é tenha se revirado no túmulo com a invenção do Instagram (muito mais do que nós mesmos).

Contudo, enquanto milhares de usuários utilizam seus aplicativos para registrar banalidades mil (que parecem ser a grande massa das imagens carregadas), alguns grandes nomes da fotografia brasileira resolveram se render no maior estilo “se não pode com ele, junte-se a ele” e aderir o recurso em suas obras. O resultado é fantástico e finalmente nos faz enxergar uma funcionalidade bacana e prática ao aplicativo que estamos acostumados a conferir em retratos de comida, de trânsito, de aeroportos…

São Paulo – 2011 (por: Renato Stockler)

São Paulo – 2012 (por: Renato Stockler)

Cajamar, SP – 2011 (por: Renato Stockler)

São Paulo – 2012 (por: Renato Stockler)

São Paulo – 2012 (por: Renato Stockler)

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Seriadamente apaixonada.

O relacionamento tinha esfriado. Ele não me causava mais aquela sensação de borboletas no estômago e pra ser bem sincera, nem sentia mais vontade de vê-lo. Sei lá, acho que caímos numa rotina, daqueles beeem chatas. Os mesmos problemas, os mesmos mimimis. E foi por isso que acabou. Me senti triste e de certa forma sentia falta dele, mas ele não preenchia mais aquele espaço que um dia foi dele. Tudo bem, a vida segue.

Os dias passaram, tive algumas experiências frustradas e foi aí que eu conheci outra pessoa, através de amigos, bem por acaso. Um cara interessante, diferente, dono de uma beleza extravagante. Continuei a encontrá-lo e a coisa foi ficando séria. Não conseguia mais dormir sem pensar nele e tudo que acontecia, eu dava um jeito de relacionar com o que vivemos juntos.

Virei uma stalker, persigo o cara pela internet e sempre dou um jeito de saber o que ele está fazendo quando não estamos juntos. Infelizmente, nada é perfeito. Com o tempo, descobri que ele tinha outra. Bonita, loira, mãe de dois filhos. Mas tudo bem, já não conseguia mais viver sem ele. Depois dessa descoberta, muitas outras descobertas vieram: a outra engravidou, eles se casaram, o neném nasceu… E eu continuei com essa história, afinal, o cara era demais. Fiquei sabendo há poucos dias que sua mulher faleceu e ele ficará com as três crianças pra criar. Eu vou dar todo o apoio, afinal, ele precisa de mim nesse momento difícil, não?

Por mais assassino que ele seja (Ah, eu não disse? Ele é serial killer!), é um cara de princípios. Não faz mal pra ninguém (só pra assassinos, mas né?!), é um bom pai, tem um bom emprego, tem um apartamento, tem um carro, tem um barco (que ele usa pra desovar os corpos, inclusive), tem bons contatos, tem boa aparência, tem um bom papo, tem o fantasma do pai dele dando bons conselhos… Vale a pena, vou levar isso até o fim.

Pensando melhor, talvez eu não leve até o fim. House, o cara do relacionamento que esfriou, me cansou muitos antes do nosso fim. Virou uma mesmice, a la Malhação, onde o enredo é sempre o mesmo e só as personagens mudam. Será que Dexter, esse do relacionamento atual, ainda consegue prender a minha atenção?

Aliás, deixe-me esclarecer: essa sou eu apaixonada por séries e que nutre um amor platônico pelos protagonistas.

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Onde você gostaria de estar?

Hoje é quarta-feira, dia 9 de maio de 2012. O tempo está frio em Curitiba, com tímidos raios de sol entre nuvens. Pássaros cantam, estudantes andam nas ruas, pessoas vão de um lado para o outro. Um dia normal. Você que porventura esteja lendo este texto, deve o estar fazendo por tédio no trabalho, preguiça de começar aquele projeto ou simplesmente matando tempo. Então aproveito para perguntar: onde você gostaria de estar?

Todos trabalhamos, gostamos (ou não) do que fazemos, mas sinceramente, ninguém gostaria mesmo de estar sentado de frente para um computador. Então liberte sua mente e vá para onde você deseja. Eu começo minha primeira viagem em uma bela praia. Gostaria de ir para a exótica e luxuosíssima Turks & Caicos, no Caribe. Sentar em uma cadeira super confortável, com um drink colorido e apenas observar o mar azul-turquesa. Depois desfrutar de uma deliciosa refeição de frutos do mar preparada por um incrível chef local, que utiliza apenas ingredientes frescos e naturais. Por lá, é capaz que você cruze com pessoas simples como Bill Gates e Oprah Winfrey.

Hum, certo. Depois de um dia de praia, sol, vida boa e muito descanso, é hora de agitar o corpinho. Próxima parada: Los Angeles. Lá existe uma das dez melhores baladas do mundo eleita por diversas revistas especializadas. A Playhouse só abre quinta, sexta e sábado e para entrar você realmente precisa ser uma very important person. O atendimento é ultra exclusivo, para você se sentir uma verdadeira estrela. Garçom, Veuve Clicquot, please.

Depois de dançar e beber a noite inteira, a ressaca é inevitável. O mais indicado seria dormir em uma imensa cama king size com lençóis egípcios ao som de mantras relaxantes. Na mesa de cabeceira, um belo suco de maçã verde feito na hora que recupera qualquer corpinho maltratado pelo álcool. Mas isto também pode ser feito em um requintado SPA em Punta Del Este. Desembarco no Mantra Resort e desfruto de todos os mimos possíveis. Massagens indianas, ofurô, ótimos restaurantes. E se cansar de não fazer nada (as vezes acontece) ainda rola um cassino super agitado, regado a whisky do bom.

Chega de América. Pego um voo para a Europa e vou descobrir a vida em Barcelona. Gente jovem, muitos estudantes, ótimos lugares para compras, restaurantes descolados e agito. Porém, eu quero estar mais especificamente em Roses, Costa Brava, na Catalunha, sentada em uma mesa do El Bulli, o criativo e respeitado restaurante do chef Ferran Adriá. A gastronomia molecular e inventiva que ele desenvolveu conquistou até os críticos mais tradicionais do mundo. Como estamos apenas imaginando, isto seria possível. Na vida real o El Bulli encerrou suas atividades no ano passado. Acho que Adriá cansou da vida moderna.

Saio do calor de Barcelona e sigo agora em busca de uma boa cerveja e frio. Depois de provar espumas e cinzas (sim, é isso que Adriá serve por lá), vou colocar meu lindo trench coat e ir para Dublin, na Irlanda. Quero dar uma passada básica no clássico The Temple Bar e depois fincarei meu corpo na famosa fábrica da Guinness. São sete andares e em todos há degustação livre. Eu disse livre. É provável que você não consiga chegar ao terceiro andar. Mas tente. Volte se precisar. Se esforçe para chegar ao topo. Lá há uma sala com janelas de vidro e uma vista panorâmica de Dublin. Aprecie tudo com uma bela pint de Guinness!

E por fim vou desembarcar em Paris. Uma vez alguém me disse que este lugar é a minha cara. Talvez por eu ser alegre e radiante ou talvez por eu gostar de comer e beber bem. Então vou provar a gastronomia mais tradicional, farta e deliciosa do planeta. Já que estou em um lugar clichê, quero estar no restaurante localizado no alto da Torre Effeil. Lá fica o Jules Verne, do aclamado Alain Ducasse. Depois de uma refeição completa, com mais ou menos cinco pratos, de foie gras a frescas lagostas com caviar, acho que encerro minha viagem. E fico por lá mesmo.

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Qualquer desatenção…

A peça é um verdadeiro ensaio sobre o abandono

Será que alguém que saiu do povo tem condições de olhá-lo sob a perspectiva do poder? Quem muda sua situação (financeira, social, intelectual etc.) consegue (não) olhar para os seus do mesmo modo como olhava antes? Estes são os questionamentos que suscita a peça Gota d’Água (1975), de Chico Buarque e Paulo Pontes, que tive a oportunidade de ver no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro.

O musical tem o estilo animado do país do samba, mas mostra com eloquência e reflexão o choque de classes e de poder, com um ar até tragicômico – bem mais trágico do que cômico. A técnica de rimar todas as falas, magistralmente empregada pelos roteiristas, entremeada por músicas – com a famosa Gota d’Água, de Chico Buarque, como a principal – tornou a peça agradável aos ouvidos e incrivelmente comovente e persuasiva.

A trilha ao vivo e o figurino trouxeram um ar de realidade que não poderia faltar. E a linguagem, simples e rimada, passava a mensagem com facilidade e – com leveza – não permitia a chegada do cansaço nas mais de três horas de espetáculo.

A tragédia prende a atenção do público até o fim

Mais do que a luta de classes, mais do que o descaso dos que exploram o povo, ou mesmo das crises de relacionamento das pessoas comuns, o enredo é um verdadeiro ensaio sobre o abandono e suas consequências, e leva o público à reflexão sobre como cada um leva a sua vida, e sobre que “pancadas” cada um aguentaria.

O ideal é não perder essa reflexão de vista. Afinal, qualquer desatenção…

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Grafite não, pixação

Foi alguém falar que a pixação não é crime e sim arte —ou melhor, que é uma legítima forma de expressão da juventude da periferia— que um outro alguém foi lá e comprou a ideia. Literalmente. Um segundo depois alguém estava pagando para ter uma manifestação-cultural-popular-autêntica-exclusiva no próprio muro de casa, ou melhor, na sala de estar. Surgiu uma escola artística, uma corrente teórica, uma camiseta da Renner e a popularização do gênero estava dado.

A pixação virou grafite e então foi aceita pelo mundo da arte, mas desde que realizada com a devida permissão (ou comissão) do dono do muro ou parede. Foi em 2010 que o conflito entre pixadores e artistas é oficialmente encerrado: os cerca de 40 ex-vândalos que haviam invadido a Bienal Internacional de São Paulo dois anos antes foram então convidados para pixar oficialmente a Bienal. (episódio que teve ampla repercussão à época e você pode recordar aqui)

Ora, se o conflito está resolvido, então quem é que continua pixando e emporcalhando nossas cidades? Será que são aqueles que ainda não entenderam este novo momento? Talvez. O cineasta paulistano João Wainer, diretor do filme “Pixo”, propõe uma abordagem diferente.

Abandonado há anos, primeiro prédio giratório do mundo ganhou nova decoração recentemente

Para a pixação ser arte, é preciso que seja também crime. Pixar é democratizar o direito à produção de poluição visual, é uma forma daqueles que são cotidianamente violentados pela cidade devolverem um pouco desta violência.

É um ponto de vista radical, mas que faz sentido na sua radicalidade. Talvez seja isso mesmo, talvez tenha momentos em que a alternativa para mudar as coisas seja sair quebrando tudo. Ou quem sabe esse ponto de vista só faça sentido na gigante proibicionista São Paulo, mas esteja distante dos lares curitibanos ou das praias cariocas.

Pode ser. De qualquer forma vale e muito uma espiada nos 11 minutos do trailer estendido de Pixo disponibilizados na internet. São cenas incríveis de escaladas em prédios, depoimentos consistentes (e arrisco dizer, emocionantes) desses artistas de rua e cenas da contraditória invasão da Escola de Belas Artes de São Paulo por pixadores.

Para ver o vídeo completo, por hora, somente na compra do DVD ou em algum dos eventos promovidos pelo diretor ao preço módico de um real. Infelizmente.

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Você já viveu um sonho?

Walt Elias Disney foi uma das mais importantes figuras do cinema. Walt Disney era um cara determinado, persistente, perfeccionista. Mas, acima de tudo, Walt Disney era um sonhador. Seu maior desejo era criar o lugar mais feliz da Terra. Um lugar onde os sonhos se tornam realidade.
Inclusive, é tão fácil associar Disney a sonhos, que uma série de citações de filmes, de músicas e do próprio começam a pipocar pela cabeça.”A dream is a wish your heart makes”, “when you wish upon a star makes no difference who you are”, “it all started with a dream and a mouse”.
Em 1955, Walt inaugurou a Disneyland na Califórnia, um parque temático de 650 m², dando início ao seu projeto de construir um lugar onde a alegria impera. Mas ele sonhava alto, e quis ousar muito mais, dando início ao “Projeto Flórida” em uma área de cerca de 30 mil hectares, com quatro parques temáticos.
O primeiro e mais importante foi o Magic Kingdom, em 1971, em seguida, veio o Epcot, em 1982, e logo chegou o MGM Studios (hoje Hollywood Studios), em 1989, até que em 1998, surgiu o Disney’s Animal Kingdom. Durante todo esse processo, dois parques aquáticos foram criados, uma porção de hotéis inaugurados e outros parques temáticos da companhia foram surgindo ao redor do planeta.
O mundo de Disney é um mundo à parte, onde todos voltam a ser crianças. A sensação é de que tudo é possível, de que todos os seus desejos podem se tornar realidade e não há tempo ruim. Lá, é possível ser feliz durante 365 dias no ano. Vai por mim.
Walt morreu em 1966, portanto, não pôde ver o seu grande projeto se concretizar. Seu legado ficou nas mãos de muitas pessoas fiéis a ele, dando sequência aos sonhos de Walt. Seus “cast members” se comprometeram a fazer daquele um lugar pra ninguém colocar defeito.
Hoje, a Walt Disney World recebe milhões de pessoas do mundo inteiro prontas para viver um sonho e ter uma sequência de dias de alegria extrema (e exaustão também, acredite).
Voltando ao tópico principal, eu vivi um sonho. E com ele, uma porção de outros menores também se realizaram. Durante míseros dois meses e meio, eu pude ver de perto como é construir a experiência do “guest”, como o entretenimento é criado e como a magia acontece. Eu pude ver como pequenos gestos podem fazer a diferença e como o sorriso pode transformar o dia de alguém.
“Mas ainda? Já faz tanto tempo!”, você pode até dizer. Sim, já faz tempo e parece que foi há uma eternidade, mas a saudade é imensa. Na realidade, é até difícil acreditar que tudo não passou de um sonho. Um sonho bom. O que não significa que eu não chegue em casa todos os dias pronta para trocar de roupa, ligar para algum amigo e perguntar: “Vamos pro Magic ver o Wishes?”
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Quando os “ísmos” do jornalismo te enlouquecerem

O feriado se aproxima, e se assim como no meu caso, um dos itens de afazeres para este curto período de “descanso” é ler um dos livros que você paquerou na livraria e que está há tempos encostados na estante, mãos a obra. O livro que está há cerca de cinco meses em minha estante é “O Mundo é Bárbaro, e o que nós temos a ver com isso”, de Luis Fernando Veríssimo. Para se bem sincera já comecei a lê-lo, mas a falta de tempo não me deixou terminar.

Com crônicas curtas, de no máximo três páginas, Veríssimo usa toda sua ironia e humor ácido para tratar de temas que variam entre a ascensão dos tigres asiáticos, a colonização do Brasil, e a eleição de Barack Obama. E por aí vai. Se você já conseguiu ler todos os livros de sua lista, e está sem nenhum para te fazer companhia nos próximos dias fica aí a dica.

A seguir uma das crônicas do livro “O Mundo é Bárbaro, e o que nós temos a ver com isso”

“Os otários desnecessários”

Gosto de repetir a frase de um personagem do John Le Carré que diz que ama a hipocrisia porque é o mais próximo que o homem jamais chegará da virtude. Não é frase de moralista desencantado, que odiaria qualquer substituto da virtude, ou de um cético terminal, que não amaria a virtude nem fantasiada. É a frase de quem acha que moral de mentira é melhor do que moral nenhuma. Que concorda que, se Deus não existe, tudo é permitido – para citar outro personagem literário –, mas acrescenta: inclusive viver como se Deus existisse.

O Nelson Rodrigues atualizou a frase do Dostoiévski, e no meio de uma suruba federal (acho que a peça é do tempo em que o Rio ainda era a capital do Brasil, uma capital da qual ninguém fugia nos fins de semana) um dos personagens grita “Se Vinícius de Moraes existe, tudo é permitido!”. Mas nem a ausência de Deus ou a doce devassidão dos poetas vence a necessidade de fingir que vivemos num universo moral, portanto de sermos hipócritas praticantes.

A frase sobre o amor à hipocrisia poderia ser de qualquer brasileiro decidido a resistir à desesperança e ao cinismo, por mais que o provoquem. Não somos otários, como pensam. Somos hipócritas. Isto é, otários conscientes, otários assumidos, otários porque o contrário seria sucumbir ao amoralismo dos outros. Otários porque alguém neste país tem que fingir que é virtuoso. Para que a hipocrisia funcione e nos salve do caos é preciso que a maioria faça seu papel: de otários. Nenhum brasileiro tem duvida de que é logrado em tudo, e não só no balcão da farmácia. A política que lhe vendem há anos também é para otários. Essa elite é essa elite porque há anos logra os otários, ela não existiria se os otários não estivessem compenetrados no seu papel. Aqui ninguém é otário por ingenuidade, é tudo simulação, tudo estratégia. São os otários que sustentam a República. No Brasil, a hipocrisia é uma forma de patriotismo.

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